Agora o Blues com Z é 100% Blues Brasil.
Essa é nossa mais nova iniciativa para divulgar e incentivar o gênero no país.
De Norte a Sul do Brasil o Blues é praticado e estamos abrindo espaço para todo brasuca que queira expressar seu feeling Blues.
Continuamos com os bate-papos. Toda semana um nome ou uma banda nacional para nos contar como é fazer Blues por aqui.
"....O velho Blues não tem formato, nem receira, nem religião,a cor da pele não se mete nisso..."




Seja bem-vindo, o blues vai rolar! E como dizia o mestre Muddy Waters, "pedras que rolam não criam limo".

31 de dezembro de 2007

Blues com Z 2008 - 07/01/2008


ENTREVISTA COM ROSANE CORRÊA

A primeira edição de 2008 do Blues com Z (07/01) vai destacar a Mulher no Blues. Poucas mulheres ousaram romper o machismo encrustrado no Blues. Nos tempos atuais, a mulher, não só se libertou desse preconceito, como também descobriu que o Blues expressa as diversidades e alegrias de sua alma , celebrando, assim, homem e mulher, o triunfo de sua existência.
Nossa convidada para um bate-papo é cantora de Blues carioca, ROSANE CORRÊA (FOTO), novo talento feminino do Blues feito no Brasil. Além de cantora, ROSANE é psicóloga, atriz, bailarina, dubladora....
ROSANE nos contou um pouco de sua trajetória, e nós publicamos para você.
Novo ano, novas esperanças. Muito Blues prá todos!!!

Blues com Z - Vc começou a cantar em igrejas. Como foi isso?
Rosane –
Sim. Era católica e cantava e tocava violão nas missas e nos grupos de jovens. A partir daí, começaram os convites para cantar também em casamentos, e eventos particulares, religiosos ou não, de familias tradicionais da zona sul carioca. Simultaneamente participei de festivais de música sacra (em um deles faturei o 2ª lugar com uma canção de minha autoria em parceria com uma amiga). Em dado momento acabei integrando por alguns anos, o coral da Igreja N.S. de Copacabana, regido pelo maestro e compositor Waldeci Farias.

Blues com Z - Fale sobre sua formação musical.
Rosane
- A música entrou na vida quando ainda era feto, e minha mãe cantava pra mim em sua barriga. Minha família é extremamente musical. Quando eu era criança fazíamos freqüentes reuniões em casa, onde cantávamos de tudo; serestas, bossa nova, canções da jovem guarda, etc., inclusive fazendo arranjos vocais. Assim acabei aprendendo a gostar de músicas “antigas” e a não ter preconceito musical.
Na adolescência ouvia todo tipo de música: rock, Blues, pop, clássica e até ópera.
Há 15 anos comecei a fazer shows e bailes com uma banda de pop/rock chamada DSS, com quem fiz o último show em dezembro de 2005 para 4500 funcionáros da Petrobrás. Simultaneamente, por 8 anos fui acompanhada em carreira solo pelo Quarteto Quasar que tem em sua formação o pianista
Ricardo Proença (tocou 20 anos no Hotel Copacabana Palace e em diversas casas do Rio de Janeiro), o saxofonista/clarinetista Charles Kocerginskis (ex integrante da Rio Jazz Orquestra que tocou com renomados artistas nacionais), o baterista Zezinho Dias (filho de Oscarito e que já tocou com pérolas da música nacional) e do baixista Romildo Cardoso (que também já acompanhou grandes nomes da música nacional e internacional). Com eles me apresentei em conceituadas casas de shows da zona sul carioca, em grandes eventos fora do Rio, e no Festival de Inverno do Sesc Rio em 2005.
Hoje estudo piano clássico na Escola de Música Villa Lobos, e integro o coro de ópera da Escola.

Blues com Z - Quando vc descobriu o Blues?
Rosane
- Sempre curti o Blues, porque sempre ouvi de tudo, já tinha ido a alguns shows e festivais de Blues no Rio, mas há quatro anos fui convidada por um amigo a ir numa jam session de Blues de amigos do orkut. Tive a sorte de ir desde a segunda edição. Quando eu entrei no estúdio alguma coisa de diferente aconteceu comigo; eu tive a sensação de que aquele era o meu lugar, era uma emoção tão forte, que meu coração acelerou feito louco. Me senti como se estivesse voltando pra casa... Parece coisa de cinema, mas foi exatamente assim que aconteceu. Naquele momento eu tive a convicção de que não queria mais seguir por outro caminho. Depois de um tempo meu coração se aquietou e eu pensei: “acabaram-se as buscas, é a este mundo que eu pertenço!”. Os músicos que estavam no estúdio, dentre eles: Big Gilson, Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves, Maurício Sahady, me chamaram pra levar um som com eles, e a partir daí começamos a estabelecer uma bela relação de respeito e amizade.
Comecei então a estudar e a ouvir muito Blues dos Cds que ganhei do meu amigo e multi instrumentista Eduardo Mizutani, e de outras fontes. A partir daí montei um repertório de raridades do Blues, que amo cantar.

Blues com Z - Suas principais influências musicais.
Rosane
- Minhas principais influências são: Etta James, Ella Fitzgerald, Koko Taylor, Billie Holiday, Aretha Franklin e Elis Regina. Mas não posso deixar de dizer que Jimi Hendrix também me influencia com sua verdade, sua emoção, sua genialidade.

Blues com Z - Além de cantora, vc é psicóloga, bailarina, dubladora e atriz. Como vc alia tudo isso?
Rosane
- (risos) Acho que na verdade sou uma boa administradora do tempo. Sou viciada em estudo e trabalho! Primeiro me formei bailarina e atriz, depois psicóloga e cantora.
Dancei em cias. de ballet (com as quais viajei pelo Brasil), dei aulas de dança e fazia teatro. As viagens nunca coincidiam com as temporadas de teatro. Depois que comecei a trabalhar como psicóloga, dei um tempo do teatro e da dança, mas comecei a dublar e a gravar versões em português de canções estrangeiras para os filmes e desenhos; o que faço até hoje além de narrar documentários, e gravar spots pra rádios. Mas voltei aos palcos em 2005 atuando e cantando na peça “Anjo Negro” de Nelson Rodrigues com direção de Nelsinho Filho; ano em que também recebi três prêmios de melhor atriz pela minha atuação no curta-metragem “Cólera” de Leandro Davico. Os prêmios são: Kikito (do festival brasileiro e latino de cinema de Gramado), Candango (do fest de Brasília do cinema brasileiro) e Nóia (do fest de cinema de Recife).
Hoje estou totalmente voltada para as artes; dublo e canto sempre, e atuo e/ou danço apenas quando sou convidada para algum trabalho de TV, cinema ou teatro.

Blues com Z - Sua relação com os músicos de Blues.
Rosane
- Minha relação com os músicos de Blues é a melhor possível; é baseada em respeito, admiração e amizade.Das jams sessions até hoje nossas relações só se fortaleceram. Big Gilson, por exemplo, que é um músico consagrado nacional e internacionalmente, e de quem sou fã declarada não só de seu trabalho maravilhoso como também do grande ser humano que ele é, me convida a dividir o palco com ele desde o primeiro show dele ao qual fui assistir.
Já dividi o palco com diversos grandes músicos de Blues, mas não posso deixar de citar Mauríco Sahady (que tem um trabalho impecável e sempre faz questão de atestar a qualidade do meu trabalho), Otávio Rocha [(Blues Etílicos) que além de ter um trabalho inquestionável e ser reconhecido nacional e internacionalmente como um dos maiores guitarristas de slide do mundo, é meu grande amigo e orientador musical], Ugo Perrotta e Beto Werther [(os dois ex-Big Allanbik) profissionalíssimos, reconhecidos por todos os grandes músicos e também meus amigos queridos].Em uma das edições da Orkut Blues Jam conheci o Ted MccNeely (grande guitarrista e um dos vocalistas da Yellow Cab Blues Band, de Tiradentes/MG) com quem tive o prazer de levar um som super gostoso, e que me convidou para cantar com a YCBB na edição Blues Conto de Réis de 2008.Há também a Banca do Blues, onde rola um som de qualidade feito por alguns músicos que freqüentavam as jams e outros tantos do cenário carioca, onde rolam shows e canjas belíssimas. Mas não é só isso, Paulo e Denise (donos da Banca) disponibilizaram seus equipamentos pra uma jam beneficente que organizei, e diversos músicos que tocam na Banca participaram do evento levando boa música e alegria para a instituição ajudada.
Existe um homem que não é músico, mas é super respeitado e querido por todo o meio musical; o divulgador Arildo Bluesman. Ele, além de ser uma vasta fonte de informações sobre o blues/rock, integra a história do blues no Rio, e faz um trabalho belíssimo de intercâmbio entre os músicos, as casas de shows e o público. Ele tem investido de uma forma brilhante na minha carreira de blues singer.Em suma, sou uma pessoa de sorte por estar rodeada de grandes profissionais e amigos.

Blues com Z - Cite alguns Blues que vc gosta.
Rosane
- Hound Dog (Big Mamma Thornton)
The Man I Love (Etta James)
Wang Dang Doodle (Koko Taylor)
Blow Top Blues (Dinah Washington)
Drown In My Own Tears (Ray Charles)
Woodoo Woman (Koko Taylor)
Estas inclusive fazem parte do meu repertório. Gosto dos clássicos, mas adoro conhecer coisas diferentes e principalmente cantá-las. Por isso me identifico tanto com o Blues com Z, por ter raridades, por sair do lugar comum. Você, Edu Soliani, o Johnny Adriani e o Rony Vianna estão de parabéns! Sou fã do programa!

Blues com Z – Planeja gravar algum cd? Quais são seu projetos atuais e futuros?
Rosane
- O CD vai esperar um pouco mais. Vou deixá-lo pra um futuro não muito distante. No momento pretendo me dedicar a fazer alguns shows.
Dias 04 e 05 próximos serei a cantora convidada pela Yellow Cab Blues Band, a participar da 3ª Temporada de Blues de Tiradentes
(cidade histórica e turística de Minas Gerais) que acontece nos quatro finais de semana do mês de janeiro, sempre às sextas e sábados às 22h. Este é um evento que vem se fortalecendo a cada ano e que desde a sua 1ª edição tem levado nomes consagrados do Blues nacional. Será uma grande honra pra mim estar lá. Maiores informações no site da banda: http://www.yellowcab.com.br/
Dia 18 terei o imenso prazer de
dividir o palco com Renato Zanata, grande bluesman do Rio, produtor do Festival Alma Blues de Niterói, presença marcante no Blues com Z.
Fui convidada pelo Álamo Leal, músico consagradíssimo nacional e internacionalmente e referência de grandes nomes do Blues nacional, a dividir o palco ele no show que fará em fevereiro próximo.
Estou preparando um trabalho previsto para ser levado aos palcos em março de 2008.


30 de dezembro de 2007

Convidados de janeiro do Blues com Z



A partir do dia 7 de janeiro, o Blues com Z volta com programas inéditos e com convidados do mais alto nível do Blues feito no Brasil.
Em sua primeira edição de 2008 (07/01), vamos bater um papo com a cantora carioca ROSANE CORRÊA (foto), novo talento do Blues carioca (próximo post, uma entrevista pontual com Rosane).
Dia 14/01 nosso convidado é o músico mineiro GUSTAVO ANDRADE (foto/direita), guitarrista da Hot Spot Blues Band e criador do projeto Minas Blues Jam.
No dia 21/01 a conversa será com BIG GILSON (foto/esquerda), cantor e guitarrista carioca reconhecido internacionalmente por público e crítica.
Esperamos que 2008 comece em alto-astral a todos nós e que o Blues continue sendo a trilha sonora nos 366 dias deste novo ano.

26 de dezembro de 2007

A Mulher no Blues


Mesmo não sendo numerosos os nomes de mulheres no Blues, elas tiveram papel muitas vezes decisivos em sua história. Foi a cantora Mamie Smith em 1920 à gravar o primeiro disco de Blues (78 rotações), Crazy Blues. Até então os primeiros bluesmen eram homens do sul rural. Mamie não era uma blueswoman, era uma cantora popular em Nova York. Como a maioria das cantoras da época, seus repertórios eram ecléticos. Mas o sucesso foi tão grande que as portas para as cantoras de Blues foram abertas. Eram chamadas de "classic blues singers". Mesmo tendo vivido sua infância no meio do Blues rural, essas cantoras adotavam, de fato, os maneirismos urbanos. Também contrariando o Blues rural elas não se acompanhavam de um único instrumento, utilizando recursos de orquestra e dando um tom jazzístico para suas canções.
Com exceção das melhores dentre elas, Gertrude Ma Rainey e Bassie Smith (foto), suas obras não passaram de modismo e logo cairam no esquecimento.
Conhecida como a "Mãe do Blues", Ma Rainey, começou a carreira no sul, com forte influência do Blues rural. Em 1923, ela já era mais famosa que a pioneira do disco, Mamie Smith. A única a lhe fazer concorrência foi uma jovem que ela empregou em sua banda em 1912: Bessie Smith.
Bessie tornou-se logo a Imperatriz do Blues. Era, sim, a completa personificação da blueswoman. Depois dela, talvez só Billie Holiday e Janis Joplin (foto) alcançariam tal intensidade e, ambas com influências de Bessie.
Ida Cox foi outra cantora que mais se aproximou da crueza do Delta Blues. Sippie Wallace e Alberta Hunter fizeram muito sucesso em suas épocas, passaram por grande ostracismo e reativaram suas carreiras a partir do anos 60. Alberta voltou a cantar aos 80 anos de idade.
Victória Spivey foi a única que atravessou décadas incólume. Nos anos 20 ela acompanhou o mestre Blind Lemon Jefferson. Quase meio século depois foi Bob Dylan quem participou de um de seus discos. Victória também inspirou gerações de cantoras, como Koko Taylor, Etta James e Bonnie Raitt.
Algumas cantoras brasileiras se aproximaram do Blues, como a paulista Rosa Maria. Elis Regina tinha uma sensibilidade bluseira, mas não aprofundou. Cida Moreira e Angela Rô Rô também eram chegadas nos Blues.

Por Edu Soliani
Fontes: "Blues" - Da Lama à Fama - Roberto Muggiati - 1995
"Blues" - Helton Ribeiro - 2005
"Blues" - Gérard Herzhaft - 1985

24 de dezembro de 2007

Blues com Z 2008


O Blues com Z aproveita este momento de festas e clima de esperança ao novo ano que vai nascer para agradecer a receptividade que vem tendo e desejar um 2008 dos mais felizes a todos.
Estaremos de volta no dia 7 de janeiro com as baterias recarregadas, cheios de novidades e, principalmente, raridades do mundo do Blues.
Em seus três meses de vida, o Blues com Z mostrou que o Blues está ativíssimo no mundo inteiro, e se expressando nos mais diversos sotaques. Em cada canto do planeta, alguém está fundindo seus ritmos com o Blues. O Blues já conquistou o mundo e é natural a sua sobrevivência. Sabemos que o Blues não é um gênero músical dos mais populares por aqui, nem mesmo nos EUA, seu berço. Isso não significa que vai morrer ou, como dizem alguns, já morreu. Claro que se ninguém divulgá-lo a tendência será a extinção.
Mas , mesmo sendo novo, o Blues com Z está na luta pela sua preservação, reverenciando os velhos mestres, a sua história e apresentando o que há de mais atual.
Esperamos que em 2008 apareçam outros programas que mostrem o Blues e abram espaço para inúmeros talentos existentes de norte a sul do país, sim, no Brasil inteiro tem músicos e apreciadores de Blues .
O Blues com Z 2008 estará com as portas abertas para todos aqueles que estiverem dispostos a manter viva a sua chama!
....ninguém pode querer escravizar o Blues, não pode..... ...o velho Blues não tem formato, nem receita ou religião, ....é anarquia, metralhadora libertária..........e para ser Blues não precisa ser pessimista ou virar migalha......(trechos de Araribóia Blues)
Que a chama da música, do Blues, do amor, da paz, da esperança, esteja presente em seus corações e mentes.
Salve 2008 e vida longa ao Blues!!!!!!!!!!!!!!!

Por Edu Soliani e Johnny Adriani

20 de dezembro de 2007

Edição de Natal - 24/12/2007

Entrevista com RENATO ZANATA

O Blues com Z
da próxima segunda (24/12) - Edição de Natal - convidou o guitarrista e produtor cultural de Niterói/RJ, RENATO ZANATA para nosso bate-papo semanal. Há quatro anos, Zanata produz o Niterói Alma Blues Festival, sendo que a edição deste ano se incorporou nas comemorações do aniversário da cidade. Além de ser um guitarrista de alto nível, compõe em português.
No programa, como é de costume, bateremos um papo informal com nosso convidado que estará no Chat da Zero Rádio para interagir com os internautas em tempo real.
Aqui, publicamos uma entrevista pontual com Renato Zanata que conta um pouco de sua trajetória.

Blues com Z - Fale sobre o professor de história que escolheu a música.
Zanata
- Bem, na verdade, foi o músico que dava os primeiros passos no Hard Rock aos 15 anos, que acabou não tendo coragem para optar por uma faculdade de Música.
Somando-se a isso, havia aquele pensamento de que para se tocar Rock, não era preciso conhecer música profundamente e também, por que adoro História e toda a trama política e social que passei a estudar de forma mais profunda dentro do meio acadêmico.

Blues com Z - Da MPB ao Blues.
Zanata
- O Blues veio bem antes da MPB, pois no início da década de 90, eu participei de vários shows no Antigo Circo Voador , com o grupo “Na Esquina”, dentro do projeto dirigido pelo poeta carioca Chacal. Refiro-me, ao “CEP 20000”.
Fazíamos uma releitura de Hendrix , de Blues, mesclado com ritmos africanos. Neste período, ganhei do próprio Chacal, o apelido de “Bluesman”, pois em determinada noite , fiz uma dobradinha maravilhosa com o poeta Tavinho Paes. Nada combinado, simplesmente ele me pediu para tocar algo enquanto lia sua poesia, e aí me veio um slow Blues e a sintonia no palco, foi perfeita.
Em 1992, toquei nas bandas “Rio Blues”, levando clássicos do gênero por cidades mineiras, como por exemplo, Santos Dumont, em pequenos casas noturnas.
Depois participei da banda “Limousine 69”, também conhecida como “Holandês Voador”, e aí fizemos vários shows por Universidades Particulares e Públicas do Rio de Janeiro e bares de Niterói, como o emblemático bar “Duerê”, por onde passaram as principais bandas de Blues do cenário carioca. A nossa proposta , era destacar o trabalho autoral, em paralelo a alguns clássicos do Blues-Rock.
Quando parte dos integrantes da banda , tiveram que parar por conta do vestibular e tal, a banda não resistiu a essa interrupção, e acabou. Daí em diante, comecei a tocar MPB com outros músicos, mas sempre aproveitava de temas como “Se eu quiser falar com Deus” do Gil e músicas da cantora Sade, para colocar em meus solos, o “sotaque Blues” que já havia adquirido.

Blues com Z - Quais suas influências?
Zanata
- De cara, não posso deixar de citar o vinil “Comes Alive” do Peter Frampton e o show que assisti dele aqui no Rio em 1981. Depois comecei a ouvir Hendrix,Clapton , B.B.King e quando escutei pela primeira vez o Celso Blues Boy na saudosa rádio Fluminense FM, a “Maldita”, percebi que era ali , em meio aos acordes e escalas Blues, que eu queria viver.
Não posso deixar de citar, alguns professores que nesse período, contribuíram em muito para o amadurecimento da minha linguagem blues na guitarra. São eles: Alex Magno, Alex Martinho, Daniel Santana, Pedro Braga, Henrique Paganini e Íris Nascimento.
Depois que o Blues autoral cantado em português do Blues Boy me fisgou, comecei a descobrir de lá pra cá , outras referências como Stevie Ray Vaughan, Robert Cray, Johnny Winter, Buddy Guy,Magic Slim, Nuno Mindelis, André Christovam, Paulinho Guitarra, Maurício Sahady, Ricardo Giesta, Big Gilson, Big Joe Manfra, Fernando Noronha e mais recentemente o Igor Prado.

Blues com Z - O que te levou a promover festivais de Blues?
Zanata -
Quando retornei ao trabalho diretamente ligado ao Blues , em 2002, acompanhando com minha banda, o bluesman Big Gilson, percebi mais claramente, que os espaços para shows de Blues, haviam diminuído, se comparado, com a grande quantidade de shows, que rolavam em Niterói na década de 90. O próprio Duerê fechado e os animados festivais que o Teatro da UFF promoviam, haviam estancado.
Através do bluesman Ricardo Giesta, consegui mostrar o projeto do 1º Niterói de Alma Blues á diretora do Teatro da UFF, Ana Paula Cerbino. E fizemos então, na cara e coragem, as edições de 2003, 2004 e 2006. Vale ressaltar que não obtivemos nenhum grande apoio nessas 3 primeiras edições.

Blues com Z - Fale sobre o 4º Niterói Alma Blues Festival
Zanata
- O 4º Niterói de Alma Blues, foi muito especial para mim. Foi o resultado dos 4 anos em que coloquei na estrada, minhas idéias e meus desejos como músico e produtor, contando sempre, com um maravilhoso apoio de mídia, de profissionais como o jornalista Júlio Vasco, Celso Nascimento da Uniteve canal 17 da net e do Arildo Bluesman do site Bluesrock.
Nesta quarta edição, pude realizar um sonho antigo de ter o Blues Etílicos participando do Niterói de Alma Blues Festival, graças ao forte apoio da secretaria de cultura de Niterói, através do secretário de cultura André Diniz.
Integramos o calendário oficial de comemorações do aniversário de Niterói e registramos duas noites maravilhosas no Teatro Popular Oscar Niemeyer, com o reconhecimento de mídia e público, nos chegando em dobro nesta edição de 2007.

Blues com Z - O cenário atual do Blues carioca.
Zanata
- Percebo uma movimentação maior por aqui, no tocante aos espaços e projetos para o Blues. A “Banca do Blues” capitaneada pelo casal Paulo e Denise, veio mesmo pra ficar e já começou a se expandir, como a criação do novo espaço no restaurante Severyna da Glória, onde o casal faz parceira com o músico Jean Leclerc na produção da casa.
O bar Sallon 79 em Botafogo, vai se consolidando com seu proposta de toda terça-feira, abrir a casa para o Blues. O Espírito das Artes, na Cobal do Humaitá, em parceria com o novo selo Delira Blues, também realizou vários shows durante este ano de 2007.
Aqui em Niterói, o Dragon Jack Rock Club, situado na região oceânica de Niterói, tem sido um ótimo espaço para os amantes do Blues ( músicos e público).
Espero que em 2008, com a consolidação destes projetos dentro dessas casas de shows, a tão sonhada renovação do público que se identifica com o Blues, comece a acontecer pra valer.

Blues com Z - O compositor de Blues autoral em português.
Zanata
- O direcionamento do meu trabalho pelo caminho das composições em português, veio não só pela admiração ao trabalho do Celso Blues Boy, mas também pela parceria antiga com meu primo, Otávio Dellivenneri. Posteriormente, ao conhecer nos anos 90, o músico, compositor e amigo Charles Nobili e em 2003, o blusman Sergio Jr.(Serjão), a intenção por compor em português, foi amadurecendo e se consolidando. Este ano comecei uma nova parceria. Já compus dois Blues com o compositor Johnny B., sendo um dos temas em português e o outro inglês. Espero já no início de 2008, colocá-las nos shows.
Até bandas como a Blues Etílicos, que conhecemos por possuir um sólido material de versões maravilhosas dos grandes mestres do Blues, despertaram em mim, um interesse maior por suas composições em português. No próprio show deles no 4º Niterói de Alma Blues, percebi que público respondeu de forma especial e bastante calorosa aos clássicos como “Quando o sol me levanta”, “3º Whisk” e “Cerveja”. Compor em português, se tornou a minha identidade como músico de Blues e vejo claramente, uma ótima resposta do público. As pessoas decoram as letras com maior facilidade e nos shows seguintes, interagem ainda mais com a banda.

Blues com Z - Fale sobre suas composições.
Zanata
- Gosto de destacar nas minhas letras, que o Blues é muito mais do que achava o mestre Sun House, ou seja, é divertimento, é brincar com a dor para poder vencê-la e não apenas mágoa , sofrimento e desilusão.
Mesmo em temas que retratam alguma pendenga amorosa..rsss..gosto de dar uma solução final de esperança e “volta por cima”, para a estória em questão.
Questionamento social e político também permeiam minhas composições, claro que sem radicalismos e tentando mostrar que o Blues e a música de uma forma geral, podem mostrar as pessoas, que há saída sim, para problemas cotidianos, aparentemente insolúveis.

Blues com Z - A idéia de desenterrar Araribóia Blues.
Zanata
- Outro grande “culpado” pelo meu amor ao Rock e posteriormente ao Blues, foi o mestre e jornalista , “pai da Fluminense FM”, Luiz Antônio Mello. Se já não bastasse todo esse “berço”, ele ainda compôs o Blues em português, que na minha opinião, melhor explica o porque tantas pessoas pelo mundo afora amam ouvir e/ou tocar Blues, independentemente da posição geográfica, momento histórico, condição social, credo religioso e cor da pele, de cada uma delas.
É a primeira música que canto em meus shows e tenho muito orgulho de conhecer o seu autor e ter tido sua admiração pela minha interpretação acústica do tema. A resposta do público, tem sido maravilhosa, quando “atacamos” de Araribóia Blues”.

Blues com Z - Perspectivas e novos projetos.
Zanata
- Em 2007, várias coisas boas aconteceram e que projetam um 2008 muito bom. Para janeiro, já posso adiantar duas datas: Dia 18/01, estarei com a BluesTrio no Restaurante Severyna da Glória, no Rio e 19/01, estarei fazendo uma participação especial no 3o Ilha Blues Festival, em Ilha Comprida/SP, pois fui convidado pelo produtor Oda Gomes para me apresentar ao lado da banda Arquivo Blues.
Meu trabalho ganhou destaque nas revistas, Cover Guitarra e Guitar Player, consegui um apoio oficial e público para o projeto “Niterói de Alma Blues Festival”, recebi inúmeros elogios dos grandes feras do Blues Nacional, de blogs como o “Blues Masters”, através da exposição do meu som no myspace e especialmente, tive meu Blues reconhecido e fortemente destacado por grandes conhecedores do mundo do Blues, como você, meu caro Edu Soliani e o “Doutor em raridades Blues”, Johnny Adriani.
A atenção dada pelo programa Blues com Z ao meu som, deu uma alavancada enorme no meu trabalho neste ano de 2007.
Sem deixar de mencionar aí, é claro, o terceiro mosqueteiro, o irmão Rony Viana da Zero Rádio Web, o guerreiro Arildo Bluesman do site Bluesrock, o Eduardo Gaspar da comunidade “Blues Brasileiro”, o querido Banha Blues, do fabuloso projeto “Blues pela Vida”, a Claudia Bijalba do Dragon Jack Rock Club, o Paulo e a Denise da singular “Banca do Blues” e todos aquelas pessoas que sempre me incentivaram através de e-mails, ou participando do chat da Zero Rádio.
E principalmente, gostaria de finalizar mencionando os caras que estão fazendo o meu Blues amadurecer cada vez mais: O baixista Ronaldo Cabral, o baterista Fernando Dias e o “Jovem prodígio do Blues”, o guitarrista Marvin Foster.

PS: PARA OS MÚSICOS REFLETIREM:
Uma pessoa que já esteja na casa dos seus 40 anos e que sempre curtiu Blues, cada vez mais tem menos com o que se surpreender e renovar seu interesse em sair de casa para freqüentar um show de Blues, se os clássicos ou covers tocados pela maioria das bandas de Blues, são simplesmente os mesmos de sempre, não?
Se é mais demorado o reconhecimento de um trabalho autoral, que pelo menos as releituras sejam de nomes mais recentes do cenário mundial do Blues ou então, que se pesquise aqueles sons “lado B” dos antigos mestres com arranjos modificados e tal.
Não é atoa que um programa como o BLUES COM Z, vem cativando rapidamente velhos fãs de carteirinha do Blues e atraindo a cada dia, novos ouvintes do gênero. É só observarmos a sua comunidade do orkut, o número fabuloso de visitas no blog e o crescimento do número de pessoas que interagem no chat da Zero Rádio a cada novo programa (Renato Zanata).

19 de dezembro de 2007

Edição de Natal do Blues com Z - 24/12/2007


JIMI HENDRIX (1942-1970)

Johnny Allen Hendrix, mais tarde renomeado para James "Jimi" Marshall Hendrix, era guitarrista, cantor, compositor e produtor e é amplamente considerado um dos mais importantes guitarristas da história da música contemporânea. Como guitarrista, ele se inspirou nas inovações de músicos do Blues tais como BB King, Muddy Waters, Albert King e T-Bone Walker, assim como nos guitarristas de R&B como Curtis Mayfield. Hendrix reinveitou a guitarra, ampliando a tradição do instrumento. Apesar de guitarristas anteriores, como Dave Davies ( The Kinks), Pete Townshend(The Who) terem empregado recursos como o "feedback" (realimentação), distorção e outros efeitos especiais, Hendrix, graças às suas raízes no Blues, na Soul-Music e no R&B, foi capaz de usar estes recursos de uma forma que transcendia suas fontes. Ele também foi um letrista cujas composições foram tocadas por inúmeros artistas. Como produtor musical, foi um dos primeiros a usar o estúdio de gravação como extensão das suas ideias musicais. Finalmente, a sua importância como estrela do rock coloca-o ao nível de figuras como Chuck Berry, John Lennon, Elvis Presley e Mick Jagger.
O disco que saiu em 1994, "The Blues" (foto), mostrando a ligação de Jimi com o gênero, traz incríveis revelações. Na capa do disco, Michael J. Fairchild afirma que Hendrix teria tido uma iniciação vodu e Blues, em Macon, Georgia, aos 13 anos.
Hendrix, nasceu em Seattle e foi profundamente afetado por problemas familiares - o divórcio dos seus pais em 1951 e a morte de sua mãe em 1958, quando ele tinha 16 anos. Era muito afeiçoado à sua avó materna, que possuía sangue cherokee , e que incutiu no jovem Jimi um forte sentido de orgulho de seus ancestrais nativos norte-americanos. No mesmo ano, o seu pai Al deu-lhe um "ukelele" (instrumento de 4 cordas, introduzido no Havaí pelos portugueses no século XVII. É muitíssimo semelhante ao cavaquinho brasileiro.), e posteriormente comprou, por US$ 5, uma guitarra acústica, pondo-o no caminho da sua futura vocação.
Hendrix teve uma experiência de estrada rica em Blues. Excursionou pelos EUA, Canadá e Bermudas com o grupo dos Isley Brothers. No Tennessee, participou de um pacote itinerante de Rhythm & Blues que incluia seu ídolo BB King. Cavou uma vaga na banda de Little Richard para em seguida abandoná-la para fazer uma turnê com Ike & Tina Turner.
No verão de 1966, Jimi, com o nome de Jimmy James, acompanhando a banda The Blue Flames foi visto por vários astros ingleses. Chas Chandler, guitarrista do The Animals, o levou para a Inglaterra, formando a The Jimi Hendrix Experience. Seu surgimento no cenário do Rock causou impacto e foi saudado como "o guru do Blues eletrônico". Depois da apoteótica apresentação em Monterrey Pop, em 1967, que culminou com o ritual da queima de sua guitarra no palco, Jimi conquistou o mundo com sua genialidade. Mas, o dinheiro e a fama tiveram para ele o mesmo efeito destrutivo que acabou com inúmeros outros astros do Rock . Jimi brilhou ainda em Woodstock, 1969, fez um concerto pela paz no Madison Square Garden de Nova York, uma filmagem meio maluca no Havaí (Rainbow Bridges) e uma apresentação frustrante no festival da Ilha The Wight, em 1970. Na noite de 16 de setembro foi ver o show do amigo Eric Burdon no club de Jazz de Ronny Scott e deu uma canja.Tocou pela última vez e tocou Blues. Dia 18 de setembro foi encontrado inconsciente num quarto de hotel e chegou ao hospital morto.
Jimi foi outro enterrado vivo pelos Blues. Chegou a gravar vários e toda sua música estava impregnada de Blues, uma espécie de tradução para a Era do Homem na Lua na velha tradição do Delta. Um casamento perfeito das raízes com a alta tecnologia. Na sua última entrevista à imprensa , depois do Festival da Ilha The Wight, Hendrix falou sobre a corrente sonora do futuro:

"Gosto de Richard Strauss e de Wagner, são caras legais e acho que vão formar a base de minha nova música. Mas pairando no céu acima de tudo estarão os Blues e haverá a celestial música do Ocidente e a suave musica do Oriente, misturadas para formar uma coisa só".

Por Edu Soliani
Fontes: "Blues" - Da lama à fama - Roberto Muggiati - 1995.
Internet



18 de dezembro de 2007

Edição de Natal do Blues com Z - 24/12/2007




















O Blues com Z da próxima segunda (24/12 - edição de Natal)), vai destacar o reinventor da guitarra elétrica, JIMI HENDRIX (foto) e algumas de suas 'pérolas', raridades de colecionadores jamais tocadas num programa de rádio.
Vamos continuar na linha hendrixiana e mostar alguns tributos ao guitarrista feito por seguidores de várias partes do mundo.
No Blues feito no Brasil um bate-papo com o guitarrista de Ninerói/RJ, RENATO ZANATA (foto), produtor das quatro edições do Niterói Alma Blues Festival.
Não esqueça que você faz parte do programa com sua participação no Chat da Zero Rádio Web e também concorre a um cd/coletânia com 12 raridades do Blues Rock mundial.
Durante a semana vamos publicar, aqui no blog, uma entrevista pontual com ZANATA, falando sobre sua trajetória e mais um breve perfil do mito JIMI HENDRIX.

13 de dezembro de 2007

Entrevista com ROBSON FERNANDES


O Blues com Z da próxima segunda (17/12), vai bater um papo com ROBSON FERNANDES, gaitista paulistano considerado um dos mais originais musicos deste instrumento da atualidade no Brasil.
O pioneiro do Blues nacional, André Cristovam declarou: "Robson Fernandes é um virtuose. Um grande músico, antes de ser um grande gaitista. Sua técnica é assustadora".
Teve o repertório de seu primeiro CD, o Sampa Blues, parabenizado por CHARLIE MUSSELWHITE um dos maiores gaitistas do mundo, integrante da velha guarda de Chicago.
Precisa mais?

Blues com Z - Sua formação musical.
Robson -Toco gaita há + ou- 15 anos, toquei 10 meses sem professor,
depois fiz uns 4 meses de aula com Flávio Vajman no Sesc Pompéia,
nesse curso com Vajman aprendi as técnicas da gaita diatônica,
a partir daí passei a ter aula de Improviso e Harmonia com guitarristas
de jazz e a estudar diatônica e gaita Cromática sozinho.
Aldo Landi e Lupa Santiago foram meus professores mais importantes, tb
fiz algumas aulas de improviso com trombonista Bocato, fiz um
curso de leitura musical, mas como quase não uso, não tenho prática
pra leitura, acabei direcionando meu estudo para o Improviso.
Blues com Z - Como surgiu a gaita?
Robson - Escutava um programa de Blues numa rádio aqui em Sampa, depois
que chegava da escola, passei a gravar alguns programas e comecei
a me interessar pela sonoridade da gaita no Blues, achei aquele
som fascinante, aí na minha escola encontrei um cara com uma gaita
na mão, perguntei a ele onde tinha comprado, no outro dia ja estava
soprando uma tb, cheguei em casa e tentei reproduzir o que tinha
gravado na fita, nao consegui é obvio, aí abri a gaita e comecei
a envergar as palhetas, achei que elas estavam muito duras, na
realidade o que queria produzir era o Bend, técnica usada na gaita
diatônica, aí quebrei minha primeira gaita no dedo, hehehehehehe
no outro dia fui lá e comprei outra e vi que o problema era comigo,
nessa época tinha 16 anos.
Blues com Z - Por que o blues?
Robson - Sempre escutei Black Music devido a minha familia, meu avô era
negro e minha avó Portuguesa, meu pai puxou pro meu avô,
pra completar minhas tias se casaram com negros,
nasci do lado de uma escola de samba, então, ouviamos Samba rock,
Funk e samba é logico o tempo inteiro.
Fui morar no Nordeste depois que minha mãe se separou do meu pai,
tinha 10 anos, em teresina, lá conheci o Rock&Roll e o Reggae,
com 15 anos volto pra Sao Paulo e o pessoal que fiz amizade era a
galera do Reggae, rock e blues, daí comecei a ouvir o programa de
rádio e me apaixonei pelo Blues de cara.
Blues com Z - Quais suas influências?
Robson - Tenho influencias de vários gaitistas, mais os principais são
Sonny Boy II, Little Walter e Walter Horton.
Mais gosto de muita coisa diferente do blues como bossa nova,
jazz, chorinho, erudito, funk.
Gosto muito de John Coltrane, Tom Jobim, Villa-Lobos, Debussy,
escuto bastante William Clarke, Rod Piazza e Kim Wilson e tudo
o que reconheço como bom, sem preconceito.
Blues com Z - Suas músicas favoritas.
Robson - Essas são varias tb, "Wise One" Coltrane,
"99" Sonny Boy II, "Real Gone Lover" Smiley Lewis
"My One and Only Love" Versão Hartmam e Coltrane
essas saõ as que Eu consegui lembrar, hehehehe
sei lá, tem muita coisa.
Blues com Z - Fale sobre a Sansara Blues Band.
Robson - Sansara foi minha primeira banda, uma escola maravilhosa,
meu primeiro show foi no Mr. Blues, a banda precisava de
um gaitista e resolveram me chamar, depois comecei a tocar
na Banda do guitarrista Argentino Danny Vincent onde me
profissionalizei.
Blues com Z - Seu primeiro cd “Sampa Blues”
Robson - Esse disco foi muito bom na minha vida, vários convidados,
em principio não acreditava muito nele, depois as pessoas
foram me falando que ele era um disco legal, algo novo,
primeiro cd de gaita blues instrumental no Brasil, vendeu bem
pra karamba e vende até hoje, ele é meio misturado, vários estilos,
gaita e piano, gaita e violão, gaita e banda de Jazz, foi todo
gravado ao vivo e conta com participação de feras do Blues nacional.
Blues com Z - Fale sobre sua relação com os músicos nacionais e internacionais.
Robson - Com os músicos nacionais é bem legal, respeito todo mundo, independente
de estilo, cada um na sua onda, graças a Deus tenho conquistado meu espaço.
Ainda não tive a oportunidade de travar uma amizade mais profunda com músicos
internacionais, mais recebi vários comentários positivos de
gaitistas do mundo inteiro.
Blues com Z - Como vc vê o blues no Brasil e no exterior
Robson - Acredito que tem bastante espaço para Blues apesar de nao ser uma
música Pop que toca nas rádios, vc pode tocar Blues praticamente
no mundo inteiro e isso é muito bom, acho tb que em todo lugar
é dificil,mas com um trabalho de qualidade uma hora as pessoas vão perceber
e começam a te chamar pra tocar.
Blues com Z - O mercado do Blues no Brasil.
Robson - É um mercado restrito, poucas casas especializadas, poucos festivais,
mais ainda assim tem espaço, aqui em São Paulo tb tem várias unidades do
Sesc que tocam Blues, isso ajuda muito, em 2007 graças a Deus consegui
tocar em vários estados do Brasil, nao posso reclamar.
Blues com Z - Seu novo cd “Gumbo Blues”. Por que este nome?
Robson - Esse Cd é bem diferente do primeiro, acredito que seja mais maduro tb,
outros tipos de levada e o timbre da gaita está bem melhor, contei com
ajuda do Chico Blues que fez a produção e as Banda Prado Blues Band
e o Blue Jeans. Gumbo é um prato da cozinha negra americana, bem apimentado
e com vários ingredientes, resolvi fazer essa analogia.
Ele esta sendo destribuido nos USA e na Europa por um selo californiano,
com o Gumbo tb consegui participar do Programa do Jô e do Ronnie Von,
isso me abriu várias portas.
Blues com Z - Como vc se vê cantando?
Robson - Canto a praticamente a 7 anos, fiz aula de canto com vários professores,
o fato de tocar gaita me ajudou na afinação, hoje em dia tenho mais
segurança na impostaçao da voz e na pronuncia do inglês, no começo era mais
complicado. Cantar pra mim esta relacionado a coragem e confiança,
cada um tem sua voz, vc pode gostar de um timbre de um pessoa ou não,
isso é questao de gosto, eu adoro minha voz e o jeito que canto.
Blues com Z - Fale sobre a nova geração de gaitistas brasileiros.
Robson - Tem muita gente tocando bem pra karamba e vejo que a galera esta bastante
antenada, com bastante informação, isso é muito bom para o instrumento,
além disso cada um no seu estilo, isso fortifica o instrumento no brasil,
gosto muito de Otavio Castro que cromatiza a diatônica e toca
Jazz, assim como Carlos May e Ale Ravanelo que tocam Blues,
Leandro Ferrari, Daniel Granado, Uirá Cabral, Luis Rocha, tem muito
cara mandando bem, graças a Deus.
Blues com Z - Projetos atuais e futuros.
Robson - Bom, penso em gravar um novo Cd e tb um DVD e como falei outro dia,
fazer o maior numero de show e divulgar minha musica no mundo inteiro.
Quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho ou comprar meus
Cds é só acessar: www.robsonfernandes.com
Aproveito para agradecer a Edu Soliani e Johnny Adriani pela
oportunidade de mostrar meu trabalho aqui no Blues com Z,
parabéns pelo projeto e muito sucesso para nós todos.
Grande abraço do amigo RF.






Atrações 17/12/2007

O Blues com Z da próxima segunda (17/12), terá como convidado para nosso bate-papo semanal, mais um grande nome do Blues nacional. Estamos falando do virtuose da gaita, ROBSON FERNANDES.
Se você não conhece a fera, veja o que André Cristovam falou dele.

"Robson Fernandes é um virtuose. Um grande músico, antes de ser um grande gaitista. Sua técnica é assustadora. Seu senso melódico é fantástico e seu apetite para novas alternativas harmônicas é imenso. Chega a transcender os limites de seu instrumento. Dono, em todos os aspectos, de uma técnica perfeita, tem ainda o bom senso de deixar que sua música seja conduzida pela emoção.
A rapidez com que percorreu a distância dos primeiros acordes ao que faz hoje, é inacreditável. Assimila tudo com extrema rapidez e intuição. Mesmo quando cita os seus mestres em determinadas canções de seu repertório, Robson nunca perde seu toque, sua assinatura. Além disso, o material composto por ele é excelente, muito bom mesmo. E Robson Fernandes é jovem, tem muito pela frente. Com o tempo, vai ser uma referência ainda maior para todos que amam o blues e para todos que adotaram a gaita como instrumento." -

Além de ROBSON, o Blues com Z trará mais alguns grandes nomes do atual Blues Rock Mundial.
Nosso próximo post, será uma entrevista pontual com o gaitista, falando tudo sobre sua trajetória.

11 de dezembro de 2007

Blues e Religião


A religião exerceu um papel bastante significativo na criação e evolução do Blues. Há quem argumente que o Blues veio da música religiosa e dos spirituals, canções que os negros criaram a partir das histórias da Bíblia. Mas, na verdade, ele tem muito mais a ver com a realidade prática das work-songs ou canções de improviso no trabalho. Na atmosfera opressiva do Delta, muitos bluesmen usavam de exaltação religiosa para se expressar, caso de Blind Willie Johnson (1901-1949).
Por ser um tema inerente à raiz do Blues, resolvemos aparar algumas arestas sobre o assunto e publicar um pequeno estudo sobre a religião no Blues.

Holy Blues x Blues – Música de Deus x Música do Diabo
"Holy blues"(blues religioso) é um evidente paradoxo. O blues é considerado como "a música do diabo", um principio sustentado por muitos cantores de blues e de algumas igrejas afro-americanas. O blues não é religioso e a música religiosa não é o blues. O blues celebra os prazeres da carne, enquanto que a música religiosa celebra a “libertação” das amarras mundanas. Um é o azeite e o outro é a água, não podem ser misturados.
Numa época considerada como as vozes gêmeas da cultura afro-americana, as tradições gospel e blues, foram julgadas gradativamente com os dois lados de uma linha divisória. Os afro-americanos eram de mútua exclusão: o blues ou a música gospel, Deus ou o Diabo, o céu ou o inferno. O cantor de blues escolhia as segundas opções, às vezes estabelecendo pactos (conforme diz a lenda fez Robert Johnson) para adquirir um domínio mais amplo da "música do diabo".
No momento atual muitos fãs consideram aos cantores de blues, principalmente os cantores do Delta, como os equivalentes afro-americanos do século XX dos poetas românticos do século XIX, que se rebelaram contra as convenções sociais com sua arte e morreram jovens pela sua inclinação à tuberculose, á sífilis ou ao suicídio.
.O blues e a música religiosa desempenhavam diferentes funções sociais na cultura afro-americana. O blues nasceu no interior de uma cultura afro-americana no momento em que as igrejas extáticas Holiness e Pentecostal estavam-se espalhando, e estes credos populares acolheram expressões musicais ecléticas, no caso dos religiosos gospel ou holy blues.


Da África para as Américas
As raízes africanas no Blues são evidentes tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos como religião, trabalho, amor, sexo e traição.
A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações de algodão do Delta, era a legião de negros trabalhando de forma desgastante sobre o embalo das work-songs ou gritos (hollers), expressão vocal básica trazida da África.


A Religião
Em sua chegada na América, no início do século 19, os negros sofreram uma evangelização maciça, porque as religiões africanas eram proibidas aos escravos. Mas é claro que uma sociedade tão profundamente cristã, como a dos plantadores escravagistas do Sul dos EUA ,não podia confessar francamente essa utilização do homem negro unicamente como animal de carga. Depois de muito tempo considerando os negros como meio-macacos, resolveu-se evangelizá-los em massa, levando-lhes assim a felicidade de crer em Jesus. Bem depressa, e provavelmente desde o início daquele século., o canto religioso tornou-se um dos principais meios de expressão dos negros. Com uma enorme capacidade de adaptação, os escravos negros transformaram os hinos batistas e metodistas em cantos que misturavam as origens africanas e européias e que se espalharam no mundo inteiro sob o nome de negros- spirituals.
Entre 1895 e 1900, florescem seitas religiosas em todo Sul e Sudeste, das quais, a mais célebre, era a dos pentecostais. Essas novas igrejas negras eram animadas por um fervor religioso extraordinário, os gospels songs, herança direta dos negros espirituals . Os negros deram, também, um sentido muito particular aos temas inspirados na Bíblia e, em maioria, no Antigo Testamento. A mistura de profunda tristeza e de alegria fervorosa pelo ‘paraiso’, sugere apressados por reencontrar Jesus, para, enfim, ser livres. Mas, se esse desejo de morte está efetivamente presente com freqüência, não se pode negar que ‘atravessar o Rio Jordão’ significava também tornar-se livre. Em todo caso, o relato dos sofrimentos e penas do povo judeu no Antigo Testamento tiveram uma ressonância muito profunda entre os escravos, que identificaram-se visivelmente com os hebreus, fugindo do cativeiro no Egito para a Terra Prometida. Mas por outro lado, não faltava o espírito de crítica. Como nestes versos da época: “O branco usa o chicote/o branco usa o gatilho/ mas a Bíblia e Jesus/ fizeram do negro um escravo....Essa rebeldia já era um germe do Blues.

Naquela época, a palavra ‘blue’ era relacionada às coisas maléficas. Desde o século 16, a expressão ‘blue devils’ era corrente e significava um estado de depressão emocional, enquanto a palavra no plural ‘blues’ conotava alucinações provocadas por delirium tremens. Sendo assim, os negros religiosos viam na palavra o que de pior podia existir.
Son House (1902-1988),
por exemplo, cresceu num ambiente religioso e acabou se insurgindo contra a influência demoníaca do Blues. Isso não o impediu de gravar alguns clássicos do gênero, como Preaching Blues e Jinx Blues. Mas isto durou pouco tempo.
Após o fim da escravidão, os negros continuaram num regime de semi-escravidão e possuíam pouquíssimas forma de lazer. Uma delas eram os modestos jook joints, barracos de madeira que abrigavam uma mistura tosca de sala de conserto, salão de danças e bar. Por ali passaram os primeiros nomes do Blues. Detalhe: eram localizadas o mais longe possível da igreja local.

Por Edu Soliani
Fontes: The Blues – Gérard Herzhaft – 1986.
“Blues” – Da lama à fama – Roberto Muggiati – 1995
Blog – www. religiaoecultura.blogspot.com

7 de dezembro de 2007

Entrevista com VASCO FAÉ


Como haviamos anunciado, publicamos uma entrevista pontual com um dos maiores nomes do Blues feito no Brasil, o auto didata, gaitista e multi instrumentista VASCO FAÉ. Somente este ano, lançou 3 cds. É um dos fundadores da Irmandade do Blues (1992), a mais antiga banda de Blues paulista com a mesma formação.
Incansável pesquisador e profundo conhecer de Blues, foi o primeiro (talvez o único) a usar o bumbo no Blues. É chamado de "Homem Banda" pela sua capacidade de entreter sua audiência.
Nesta entrevista, VASCO dá sua visão sobre o Blues feito no Brasil, seus favoritos e muito mais.
Na próxima segunda (10/12), é nosso convidado para o bate-papo no programa, onde você ficará sabendo muito mais sobre esse Bluesman brasileiro apaixonado pelo que faz.

Blues com Z - Qual sua formação musical ?
Vasco - Auto didata.
Blues com Z - Quantos e quais instrumentos vc toca ?

Vasco - Gaita, bateria, guitarra, baixo, voz, percussão, teclado, e o que pintar.
Blues com Z - Por que o Blues?

Vasco - Porque não? Na verdade eu não sei porque, acho que foi natural, eu tenho muito a ver com o Blues no que se refere a sentimento perante a sociedade, quando ouço Blues, minha instabilidade parece que dilui.
Blues com Z - Quais suas influências?

Vasco - The Meters (a maior banda de todos os tempos), Led Zeppelin, Big Bill Broonzy, Muddy Waters, John Lee Hooker, Robert Johnson, Howard Levy, Ford Blues Band e meu pai.
Blues com Z -
Suas músicas favoritas.
Vasco - In the evening, Outskirts of town, Achiles last stand, Funk Miracle, Any time at all, Julia, Mama you treat your daughter mean, Jardim de Talli, e as que não sei o nome.
Blues com Z -
Fala sobre a Irmandade do Blues.
Vasco - Pra mim a Irmandade representa a minha banda oficial, é uma das grandes bandas nacionais dentro do segmento. Lançamos um CD muito legal esse ano “Good Feelings” que está sendo muito apreciado. É o lugar que eu tenho espaço para gravar um solo de microfonia como fiz em Crossroads que está no primeiro CD da banda “Veneno”. É o lugar onde também tenho espaço para arranjar, compor, etc.
Blues com Z - Outras parcerias.

Vasco - Tenho muita satisfação em acompanhar o Andreas Kisser, um dos grandes músicos mundiais, mas tenho orgulho não porque ele é quem é, mas por ser como é, um cara muito bacana e objetivo alem de que toca muito Blues. Recentemente gravei no CD solo dele que sairá ano que vem.
Também tenho muita satisfação em ter gravado um CD com meu grande amigo Adriano Grineberg, que pra mim é o maior pianista de Blues no Brasil (gravou 25 CDs de Blues com artistas de Blues variados).
Esse ano também fechei uma parceria com o grande Chico Blues para distribuir meu CD novo.
Blues com Z - Passagem pelo Blues Etílicos.

Vasco - Foi bom participar, e foi bom sair. Eu já havia começado meu trabalho de pesquisa antes de entrar para o Blues Etílicos, quando sai da banda ainda falei pra alguns deles que eu estava fazendo um tributo ao Blues das antigas e que eu achava que a banda tinha que voltar a gravar Blues antigo.
Blues com Z - Como vc vê o blues no Brasil e no exterior

Vasco - No Brasil acho que se tornou profissional, existe um circuito bom, existe canal de divulgação, acho que falta um pouco de ética e conhecimento, mas isso também se resolve com o tempo. No exterior não posso falar muito pois nunca toquei fora do Brasil. Só posso dizer que o Blues não é popular em nenhum lugar do mundo, não seria diferente aqui. Mas apesar disso, o Blues é forte em muitos países espalhados pelo globo.
Blues com Z - Seu trabalho solo.

Vasco - Estou em meu segundo CD (ManoBlues) que é uma pesquisa histórica sobre o Blues da década de 20 com os pioneiros do Delta Blues. Eu estou me envolvendo cada vez mais com pesquisa de Blues antigo.
Blues com Z - O blues autoral em português.

Vasco - Acho que as letras de Blues que são feitas no Brasil ainda tem uma tendência a ser inocente demais em alguns casos, a ficar parecido com a jovem guarda. Outra coisa é que o Blues não é ficar reclamando, o Blues é malandragem, acho que o Blues em português ficaria perfeito com letras de Bezerra da Silva, Martinho da Vila, Adoniram Barbosa. Mas isso não que dizer que não existam alguns Blues em português expertos, como Confortável do André C.
Blues com Z - Novas experiências.

Vasco - Tenho uma banda que se chama Forrock, no qual tocamos Rock Clássico e Blues em ritmo de Xote e Baião com Zabumba e Triangulo (www.myspace.com/forrock2008) . Também tenho um grupo de música Irlandesa, que considero ser uma das maiores influências do Blues.
Blues com Z - Seu estilo, hoje.

Vasco - Quando comecei a tocar sozinho com a gaita no suporte não tinha alguém fazendo isso em São Paulo, tive que descobrir sozinho muitos caminhos pelos quais tenho procurado me aperfeiçoar ao longo dos anos tocando por aí. Hoje tenho alguns amigos que tocam assim, mas sem o bumbo. Me inspirei quando assisti John Hammond na TV Cultura e vi que eu queria fazer aquilo. Hoje me sinto tão a vontade como se estivesse sem a guitarra e o bumbo.
Eu gosto de som simples, suingado, visceral e meio limpo meio sujo. As vezes quando toco sozinho por aí a galera fica dançando na frente do palco e eu sozinho mandando o bumbão.
Blues com Z - Projetos atuais e futuros.

Vasco - Tenho três CDs lançados esse ano que pretendo continuar a trabalha-los em 2008, que são “Good Feelings” da Irmandade do Blues, o “Ao Vivo No Photozofia” com o Adriano e o meu novo CD solo “Manoblues”. Também tem o CD solo do Andreas Kisser no qual eu gravei quatro das seis músicas com voz, e uma gaita heavy metal.

Atrações 10/12/2007

O Blues com Z desta segunda (10/12), vai conversar com VASCO FAÉ, conhecido como "Homem Banda" do Blues nacional. Além de um dos grandes gaitistas de sua geração, é multi instrumentista. Faz parte da lendária banda do circuito brasileiro de Blues, a Irmandade do Blues. Também integra as bandas Triangulista (forró) e A TrinKa (jazz e clássicos). Faz parte da banda solo de Andréas Kisser (do Sepultura) e dividiu palco com grandes artistas como: Simone, Bocato, André Christovam, Samuel Rosa, Tony Belloto, Charles Gavin, Derick, entre outros.
O repertório de VASCO FAÉ tem aproximadamente 250 canções, entre elas estão clássicos e não clássicos de B.B. King, Robert Johnson, Eric Clapton, Etta James, Koko Taylor, The Beatles, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Steve Winwood, Ray Charles, Tom Jobim, Tim Maia, Vinícios de Moraes, e outros. Mas o que faz o público se apaixonar pela sua performance como músico são as incríveis versões Blues de sambas de Adoniran Barbosa como "Trem das 11". Vamos falar também de seu novo cd solo "Mano Blues" (foto) e muito mais.
O internauta poderá interagir com "Vasquito" pelo Chat da Zero Rádio, ao vivo.
No próximo post, vamos publicar uma entrevista com Vasco e conhecer toda sua trajetória e seus novos projetos.
Além deste destaque, a edição da próxima segunda, vai mostrar o Blues Rock norte americano atual e muito mais.


5 de dezembro de 2007

Os Novos Festivais de Blues pelo Brasil - Final


Abrindo o último post sobre os Festivais de Blues no Brasil, além de novos Festivais pelo país afora (em seguida), destacamos uma das pioneiras casas de espetáculos a promover estes eventos. A paulistana Bourbon Street Music Club (foto log), na ativa há quase 15 anos, consolidou-se como uma das casas de shows mais respeitadas da cidade e do Brasil. Pelo palco passaram (e passam) estrelas de primeira grandeza da música americana, além de representantes nacionais do jazz, funk, soul, blues e rhythm'n'blues. Um dos destaques da decoração é uma guitarra autografada por B.B. King - exposta numa redoma de vidro logo na entrada.O nome da casa é uma referência à mais famosa rua do famoso French Quarter, em New Orleans. De lá também surgiram grande parte das revelações musicais levadas ao Bourbon Street e consagradas pelo público. Nomes como Marva Wright, Jon Cleary e Davell Crawford fazem parte desse grupo. Mas estrelas como B.B. King, Ray Charles, Billy Paul e Dianne Schuur também já protagonizaram espetáculos apoteóticos no pub mais americano de São Paulo. Ao longo destes anos, o Bourbon, já promovei dezenas de Festivas de Blues. Para comemorar seus dez anos, em 2003,a casa trouxe músicos de Nova Orleans, na Louisiana, nos EUA, para o Bourbon Street Fest.
Para destacar suas raízes musicais, o Bourbon Street apresentou um panorama bem atual da música da Louisiana, com toda sua diversidade de ritmos e estilos.
Foram sete atrações que representam os gêneros musicais mais significativos de Nova Orleans: jazz tradicional, blues, zydeco, gospel, rhythm n' blues, soul e brass band. A modernidade da música eletrônica também está presente na programação.

Os Novos Festivais

Nos últimos anos, os orgãos públicos (prefeituras) e instituições mantidas pelo comércio de bens e serviços (SESC) tem promovido festivais de Blues por todo Brasil.
Em Niteroi/RJ, por exemplo, a Prefeitura local, há 4 anos promove o Niterói de Alma Blues Festival, apresentando grandes nomes do Blues nacional no Teatro Popular "Oscar Nyemaier (foto). que já se incorporou nos eventos de aniversário do município. Evento idealizado pelo músico Renato Zanata.
Em Ribeirão Preto/SP, a primeira cidade do país a promover um Festival de Blues no Brasil, continua na ativa. Este ano apresentou mais uma edição do Sesc N Blues com MARVA WRIGHT como atração internacional e grandes nomes do Blues nacional como Nuno Mindelis e outros.
Campinas, Buzios, Tiradentes, Goiania, Florianópolis, Blumenau, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Campo Grande e tantas outras cidades , agora em São Luis do Maranhão, que este ano apresentou o Bagdad Blues Festival, com quatro bandas locais, uma de Brasília e outra de Fortaleza.
Concluimos, que o Blues no Brasil tem terreno fértil. Possui um seguimento da sociedade (undergroud) bastante ativo. Mesmo com todos os problemas de um país em desenvolvimento e conservador, tem muita gente interessada, especialmente amantes de Blues e de música de qualidade, em promover esta cultura, que reputamos universal e livre.

Por Edu Soliani
Fontes - Internet

4 de dezembro de 2007

Os Festivais no novo século - 4a Parte



Nos primeiros anos do novo século, os Festivais de Blues no Brasil sairam definitivamente do eixo SP/RIO. Em 2000, foi inaugurado o Festival de Blues & Jazz de Guaramiranga/CE (foto). Guaramiranga é uma pequena cidade serrana, localizada a pouco mais de uma hora (123 km) de Fortaleza, no Maciço de Baturité. A temperatura é amena, constrastando com o calor habitual que faz no Ceará. Na primeira edição estiveram presentes as bandas de Cristiano Pinho, Bedê, Márcio Rezende, Pádua Filho, Danilo, Elismário Pereira, Carlinhos Patriolino, Marcílio Homem, o Grupo Nó da Madeira, escola de música de Guaramiranga, Toninho Horta e o duo de Flávio Guimarães e André Cristovam. Na edição de 2004, a quinta edição foi um marco na história do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga. Nomes como o do guitarrista Stanley Jordan e do grupo Without Words, diversificaram ainda mais a sonoridade do evento.
Época de Carnaval em todo Brasil... Mas em Guaramiranga, ao explendor do pôr-do-sol no Pico Alto ou Linha da Serra, com muita boa música, acontece o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga que em 2008, completa sua 9a edição.
Em 2001, a região sul do Brasil também foi invadida por grandes nomes do blues. Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba abrigou o Natu Blues Festival. Em 2004, por exemplo, desfilaram por lá o guitarrista e organista Lucky Peterson, o organista Deacon Jones e a guitarrista Debora Coleman .No elenco nacional, estiveram a Natu Nobilis Blues Band (com Paulo Moura e o gaitista do Blues Etílicos, Flávio Guimarães), Sérgio Duarte & Entidade Joe, Big Chico & The Shufflers, Gambona, Blues del Fuego e Carlos May & The Fast Jumpers.
BSB Blues Festival de Brasilia - A primeira edição deste evento aconteceu em 2004. Na edição de 2005 se apresentaram : Manifesto Blues, Oficina Blues de Brasília, Sérgio Duarte & Entidade Joe e Lancaster & Flávio Naves Quartet. A atração internacional foi o tecladista Deacon Jones.
O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival é apontado pelos críticos como um dos melhores festivais atuais do gênero no país e chegou à quinta edição em 2007. O lugar do evento, atendendo a padrões naturais dignos de um balneário europeu, dona de uma aprazível e bela paisagem composta de praias maravilhosas, ilhas deslumbrantes, restingas, manguezais preservados, enfim, tudo o que a natureza tem de melhor. Este ano, a programação de shows trouxe artistas consagrados como Robben Ford, Roy Rogers, Ravi Coltrane, Soulive, Michael Hill, Stefon Harris; nomes do jazz nacional – Hamilton de Holanda, Naná Vasconcelos, Luciana Souza Duo com Romero Lubambo e Dom Salvador; e do blues brasileiro como Big Gilson. Tudo isso gratuito e ao ar livre, com todos tendo acesso às apresentações.
Mais Nodeste: O Festival Oi Blues By Night, rodou por várias cidades: Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Teresina (PI) A produção deste Festival é do baterista pernambucano Giovanni Papaléo e já se encontra em seu quinto ano.
O Circo Voador, no Rio, está de volta e promove (este ano foi a 3a edição)o Festival Nacional de Blues (foto), reunindo artistas consagrados a novos talentos. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre o Circo Voador e a Arias &Brasil que por duas vezes no passado realizou com grande sucesso este festival, sendo no primeiro o destaque por conta do Blues Etilicos e no segundo, um delírio coletivo com a participação de 4.500 pessoas na noite onde o padrinho foi Buddy Guy.

Por Edu Soliani
Fonte - Internet