Agora o Blues com Z é 100% Blues Brasil.
Essa é nossa mais nova iniciativa para divulgar e incentivar o gênero no país.
De Norte a Sul do Brasil o Blues é praticado e estamos abrindo espaço para todo brasuca que queira expressar seu feeling Blues.
Continuamos com os bate-papos. Toda semana um nome ou uma banda nacional para nos contar como é fazer Blues por aqui.
"....O velho Blues não tem formato, nem receira, nem religião,a cor da pele não se mete nisso..."




Seja bem-vindo, o blues vai rolar! E como dizia o mestre Muddy Waters, "pedras que rolam não criam limo".

26 de dezembro de 2007

A Mulher no Blues


Mesmo não sendo numerosos os nomes de mulheres no Blues, elas tiveram papel muitas vezes decisivos em sua história. Foi a cantora Mamie Smith em 1920 à gravar o primeiro disco de Blues (78 rotações), Crazy Blues. Até então os primeiros bluesmen eram homens do sul rural. Mamie não era uma blueswoman, era uma cantora popular em Nova York. Como a maioria das cantoras da época, seus repertórios eram ecléticos. Mas o sucesso foi tão grande que as portas para as cantoras de Blues foram abertas. Eram chamadas de "classic blues singers". Mesmo tendo vivido sua infância no meio do Blues rural, essas cantoras adotavam, de fato, os maneirismos urbanos. Também contrariando o Blues rural elas não se acompanhavam de um único instrumento, utilizando recursos de orquestra e dando um tom jazzístico para suas canções.
Com exceção das melhores dentre elas, Gertrude Ma Rainey e Bassie Smith (foto), suas obras não passaram de modismo e logo cairam no esquecimento.
Conhecida como a "Mãe do Blues", Ma Rainey, começou a carreira no sul, com forte influência do Blues rural. Em 1923, ela já era mais famosa que a pioneira do disco, Mamie Smith. A única a lhe fazer concorrência foi uma jovem que ela empregou em sua banda em 1912: Bessie Smith.
Bessie tornou-se logo a Imperatriz do Blues. Era, sim, a completa personificação da blueswoman. Depois dela, talvez só Billie Holiday e Janis Joplin (foto) alcançariam tal intensidade e, ambas com influências de Bessie.
Ida Cox foi outra cantora que mais se aproximou da crueza do Delta Blues. Sippie Wallace e Alberta Hunter fizeram muito sucesso em suas épocas, passaram por grande ostracismo e reativaram suas carreiras a partir do anos 60. Alberta voltou a cantar aos 80 anos de idade.
Victória Spivey foi a única que atravessou décadas incólume. Nos anos 20 ela acompanhou o mestre Blind Lemon Jefferson. Quase meio século depois foi Bob Dylan quem participou de um de seus discos. Victória também inspirou gerações de cantoras, como Koko Taylor, Etta James e Bonnie Raitt.
Algumas cantoras brasileiras se aproximaram do Blues, como a paulista Rosa Maria. Elis Regina tinha uma sensibilidade bluseira, mas não aprofundou. Cida Moreira e Angela Rô Rô também eram chegadas nos Blues.

Por Edu Soliani
Fontes: "Blues" - Da Lama à Fama - Roberto Muggiati - 1995
"Blues" - Helton Ribeiro - 2005
"Blues" - Gérard Herzhaft - 1985

Um comentário:

Ilma disse...

Olá Edu.

Eu também tenho uma certa paixão pelo Blues e há algum tempo venho tentando encontrar esses audios nacionais de cantoras que, como voce disse, se aproximaram do Blues.Voce citou Elis, Angela Ro Ro e Rosa Maria....Vc saberia me dizer se existe algum album especifico de alguma delas em que a presença do blues e clara ou se essa analise é uma apanhado geral das carreira de todas?

Adoraria conversar cmais contigo sobre isso.

Meu email é ilmageovanini@yahoo.com.br e, se quiser me adicionar no msn ilmageovanini@hotmail.com.


Grande beijo

aguardo