Agora o Blues com Z é 100% Blues Brasil.
Essa é nossa mais nova iniciativa para divulgar e incentivar o gênero no país.
De Norte a Sul do Brasil o Blues é praticado e estamos abrindo espaço para todo brasuca que queira expressar seu feeling Blues.
Continuamos com os bate-papos. Toda semana um nome ou uma banda nacional para nos contar como é fazer Blues por aqui.
"....O velho Blues não tem formato, nem receira, nem religião,a cor da pele não se mete nisso..."




Seja bem-vindo, o blues vai rolar! E como dizia o mestre Muddy Waters, "pedras que rolam não criam limo".

20 de dezembro de 2007

Edição de Natal - 24/12/2007

Entrevista com RENATO ZANATA

O Blues com Z
da próxima segunda (24/12) - Edição de Natal - convidou o guitarrista e produtor cultural de Niterói/RJ, RENATO ZANATA para nosso bate-papo semanal. Há quatro anos, Zanata produz o Niterói Alma Blues Festival, sendo que a edição deste ano se incorporou nas comemorações do aniversário da cidade. Além de ser um guitarrista de alto nível, compõe em português.
No programa, como é de costume, bateremos um papo informal com nosso convidado que estará no Chat da Zero Rádio para interagir com os internautas em tempo real.
Aqui, publicamos uma entrevista pontual com Renato Zanata que conta um pouco de sua trajetória.

Blues com Z - Fale sobre o professor de história que escolheu a música.
Zanata
- Bem, na verdade, foi o músico que dava os primeiros passos no Hard Rock aos 15 anos, que acabou não tendo coragem para optar por uma faculdade de Música.
Somando-se a isso, havia aquele pensamento de que para se tocar Rock, não era preciso conhecer música profundamente e também, por que adoro História e toda a trama política e social que passei a estudar de forma mais profunda dentro do meio acadêmico.

Blues com Z - Da MPB ao Blues.
Zanata
- O Blues veio bem antes da MPB, pois no início da década de 90, eu participei de vários shows no Antigo Circo Voador , com o grupo “Na Esquina”, dentro do projeto dirigido pelo poeta carioca Chacal. Refiro-me, ao “CEP 20000”.
Fazíamos uma releitura de Hendrix , de Blues, mesclado com ritmos africanos. Neste período, ganhei do próprio Chacal, o apelido de “Bluesman”, pois em determinada noite , fiz uma dobradinha maravilhosa com o poeta Tavinho Paes. Nada combinado, simplesmente ele me pediu para tocar algo enquanto lia sua poesia, e aí me veio um slow Blues e a sintonia no palco, foi perfeita.
Em 1992, toquei nas bandas “Rio Blues”, levando clássicos do gênero por cidades mineiras, como por exemplo, Santos Dumont, em pequenos casas noturnas.
Depois participei da banda “Limousine 69”, também conhecida como “Holandês Voador”, e aí fizemos vários shows por Universidades Particulares e Públicas do Rio de Janeiro e bares de Niterói, como o emblemático bar “Duerê”, por onde passaram as principais bandas de Blues do cenário carioca. A nossa proposta , era destacar o trabalho autoral, em paralelo a alguns clássicos do Blues-Rock.
Quando parte dos integrantes da banda , tiveram que parar por conta do vestibular e tal, a banda não resistiu a essa interrupção, e acabou. Daí em diante, comecei a tocar MPB com outros músicos, mas sempre aproveitava de temas como “Se eu quiser falar com Deus” do Gil e músicas da cantora Sade, para colocar em meus solos, o “sotaque Blues” que já havia adquirido.

Blues com Z - Quais suas influências?
Zanata
- De cara, não posso deixar de citar o vinil “Comes Alive” do Peter Frampton e o show que assisti dele aqui no Rio em 1981. Depois comecei a ouvir Hendrix,Clapton , B.B.King e quando escutei pela primeira vez o Celso Blues Boy na saudosa rádio Fluminense FM, a “Maldita”, percebi que era ali , em meio aos acordes e escalas Blues, que eu queria viver.
Não posso deixar de citar, alguns professores que nesse período, contribuíram em muito para o amadurecimento da minha linguagem blues na guitarra. São eles: Alex Magno, Alex Martinho, Daniel Santana, Pedro Braga, Henrique Paganini e Íris Nascimento.
Depois que o Blues autoral cantado em português do Blues Boy me fisgou, comecei a descobrir de lá pra cá , outras referências como Stevie Ray Vaughan, Robert Cray, Johnny Winter, Buddy Guy,Magic Slim, Nuno Mindelis, André Christovam, Paulinho Guitarra, Maurício Sahady, Ricardo Giesta, Big Gilson, Big Joe Manfra, Fernando Noronha e mais recentemente o Igor Prado.

Blues com Z - O que te levou a promover festivais de Blues?
Zanata -
Quando retornei ao trabalho diretamente ligado ao Blues , em 2002, acompanhando com minha banda, o bluesman Big Gilson, percebi mais claramente, que os espaços para shows de Blues, haviam diminuído, se comparado, com a grande quantidade de shows, que rolavam em Niterói na década de 90. O próprio Duerê fechado e os animados festivais que o Teatro da UFF promoviam, haviam estancado.
Através do bluesman Ricardo Giesta, consegui mostrar o projeto do 1º Niterói de Alma Blues á diretora do Teatro da UFF, Ana Paula Cerbino. E fizemos então, na cara e coragem, as edições de 2003, 2004 e 2006. Vale ressaltar que não obtivemos nenhum grande apoio nessas 3 primeiras edições.

Blues com Z - Fale sobre o 4º Niterói Alma Blues Festival
Zanata
- O 4º Niterói de Alma Blues, foi muito especial para mim. Foi o resultado dos 4 anos em que coloquei na estrada, minhas idéias e meus desejos como músico e produtor, contando sempre, com um maravilhoso apoio de mídia, de profissionais como o jornalista Júlio Vasco, Celso Nascimento da Uniteve canal 17 da net e do Arildo Bluesman do site Bluesrock.
Nesta quarta edição, pude realizar um sonho antigo de ter o Blues Etílicos participando do Niterói de Alma Blues Festival, graças ao forte apoio da secretaria de cultura de Niterói, através do secretário de cultura André Diniz.
Integramos o calendário oficial de comemorações do aniversário de Niterói e registramos duas noites maravilhosas no Teatro Popular Oscar Niemeyer, com o reconhecimento de mídia e público, nos chegando em dobro nesta edição de 2007.

Blues com Z - O cenário atual do Blues carioca.
Zanata
- Percebo uma movimentação maior por aqui, no tocante aos espaços e projetos para o Blues. A “Banca do Blues” capitaneada pelo casal Paulo e Denise, veio mesmo pra ficar e já começou a se expandir, como a criação do novo espaço no restaurante Severyna da Glória, onde o casal faz parceira com o músico Jean Leclerc na produção da casa.
O bar Sallon 79 em Botafogo, vai se consolidando com seu proposta de toda terça-feira, abrir a casa para o Blues. O Espírito das Artes, na Cobal do Humaitá, em parceria com o novo selo Delira Blues, também realizou vários shows durante este ano de 2007.
Aqui em Niterói, o Dragon Jack Rock Club, situado na região oceânica de Niterói, tem sido um ótimo espaço para os amantes do Blues ( músicos e público).
Espero que em 2008, com a consolidação destes projetos dentro dessas casas de shows, a tão sonhada renovação do público que se identifica com o Blues, comece a acontecer pra valer.

Blues com Z - O compositor de Blues autoral em português.
Zanata
- O direcionamento do meu trabalho pelo caminho das composições em português, veio não só pela admiração ao trabalho do Celso Blues Boy, mas também pela parceria antiga com meu primo, Otávio Dellivenneri. Posteriormente, ao conhecer nos anos 90, o músico, compositor e amigo Charles Nobili e em 2003, o blusman Sergio Jr.(Serjão), a intenção por compor em português, foi amadurecendo e se consolidando. Este ano comecei uma nova parceria. Já compus dois Blues com o compositor Johnny B., sendo um dos temas em português e o outro inglês. Espero já no início de 2008, colocá-las nos shows.
Até bandas como a Blues Etílicos, que conhecemos por possuir um sólido material de versões maravilhosas dos grandes mestres do Blues, despertaram em mim, um interesse maior por suas composições em português. No próprio show deles no 4º Niterói de Alma Blues, percebi que público respondeu de forma especial e bastante calorosa aos clássicos como “Quando o sol me levanta”, “3º Whisk” e “Cerveja”. Compor em português, se tornou a minha identidade como músico de Blues e vejo claramente, uma ótima resposta do público. As pessoas decoram as letras com maior facilidade e nos shows seguintes, interagem ainda mais com a banda.

Blues com Z - Fale sobre suas composições.
Zanata
- Gosto de destacar nas minhas letras, que o Blues é muito mais do que achava o mestre Sun House, ou seja, é divertimento, é brincar com a dor para poder vencê-la e não apenas mágoa , sofrimento e desilusão.
Mesmo em temas que retratam alguma pendenga amorosa..rsss..gosto de dar uma solução final de esperança e “volta por cima”, para a estória em questão.
Questionamento social e político também permeiam minhas composições, claro que sem radicalismos e tentando mostrar que o Blues e a música de uma forma geral, podem mostrar as pessoas, que há saída sim, para problemas cotidianos, aparentemente insolúveis.

Blues com Z - A idéia de desenterrar Araribóia Blues.
Zanata
- Outro grande “culpado” pelo meu amor ao Rock e posteriormente ao Blues, foi o mestre e jornalista , “pai da Fluminense FM”, Luiz Antônio Mello. Se já não bastasse todo esse “berço”, ele ainda compôs o Blues em português, que na minha opinião, melhor explica o porque tantas pessoas pelo mundo afora amam ouvir e/ou tocar Blues, independentemente da posição geográfica, momento histórico, condição social, credo religioso e cor da pele, de cada uma delas.
É a primeira música que canto em meus shows e tenho muito orgulho de conhecer o seu autor e ter tido sua admiração pela minha interpretação acústica do tema. A resposta do público, tem sido maravilhosa, quando “atacamos” de Araribóia Blues”.

Blues com Z - Perspectivas e novos projetos.
Zanata
- Em 2007, várias coisas boas aconteceram e que projetam um 2008 muito bom. Para janeiro, já posso adiantar duas datas: Dia 18/01, estarei com a BluesTrio no Restaurante Severyna da Glória, no Rio e 19/01, estarei fazendo uma participação especial no 3o Ilha Blues Festival, em Ilha Comprida/SP, pois fui convidado pelo produtor Oda Gomes para me apresentar ao lado da banda Arquivo Blues.
Meu trabalho ganhou destaque nas revistas, Cover Guitarra e Guitar Player, consegui um apoio oficial e público para o projeto “Niterói de Alma Blues Festival”, recebi inúmeros elogios dos grandes feras do Blues Nacional, de blogs como o “Blues Masters”, através da exposição do meu som no myspace e especialmente, tive meu Blues reconhecido e fortemente destacado por grandes conhecedores do mundo do Blues, como você, meu caro Edu Soliani e o “Doutor em raridades Blues”, Johnny Adriani.
A atenção dada pelo programa Blues com Z ao meu som, deu uma alavancada enorme no meu trabalho neste ano de 2007.
Sem deixar de mencionar aí, é claro, o terceiro mosqueteiro, o irmão Rony Viana da Zero Rádio Web, o guerreiro Arildo Bluesman do site Bluesrock, o Eduardo Gaspar da comunidade “Blues Brasileiro”, o querido Banha Blues, do fabuloso projeto “Blues pela Vida”, a Claudia Bijalba do Dragon Jack Rock Club, o Paulo e a Denise da singular “Banca do Blues” e todos aquelas pessoas que sempre me incentivaram através de e-mails, ou participando do chat da Zero Rádio.
E principalmente, gostaria de finalizar mencionando os caras que estão fazendo o meu Blues amadurecer cada vez mais: O baixista Ronaldo Cabral, o baterista Fernando Dias e o “Jovem prodígio do Blues”, o guitarrista Marvin Foster.

PS: PARA OS MÚSICOS REFLETIREM:
Uma pessoa que já esteja na casa dos seus 40 anos e que sempre curtiu Blues, cada vez mais tem menos com o que se surpreender e renovar seu interesse em sair de casa para freqüentar um show de Blues, se os clássicos ou covers tocados pela maioria das bandas de Blues, são simplesmente os mesmos de sempre, não?
Se é mais demorado o reconhecimento de um trabalho autoral, que pelo menos as releituras sejam de nomes mais recentes do cenário mundial do Blues ou então, que se pesquise aqueles sons “lado B” dos antigos mestres com arranjos modificados e tal.
Não é atoa que um programa como o BLUES COM Z, vem cativando rapidamente velhos fãs de carteirinha do Blues e atraindo a cada dia, novos ouvintes do gênero. É só observarmos a sua comunidade do orkut, o número fabuloso de visitas no blog e o crescimento do número de pessoas que interagem no chat da Zero Rádio a cada novo programa (Renato Zanata).

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